bambi
Don't you see? I'm Bambi. [...] If anyone in this situation is a sad little cartoon character, it's me. I'm all alone in the forest, all alone in the forest, [...]. And my mother's been shot by a hunter and where are you?
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Don't you see? I'm Bambi. [...] If anyone in this situation is a sad little cartoon character, it's me. I'm all alone in the forest, all alone in the forest, [...]. And my mother's been shot by a hunter and where are you?






os planos sempre foram algo do futuro. delicia-me a sensação confortável do zapping quando de olhos fechados, cada click um desencadear de uma infinidade de imagens. planear é hipotético, e por isso, fácil. fazê-lo é sempre projectar o tempo. sinto, assim, o futuro à distância de anos, meses, dias, horas, minutos...um dia, sem dar por isso, o hoje torna-se ontem e o amanhã hoje. e, com isso, o sonho acorda para o susto.
os machados não se enterram. há sempre aquela poeira que se atira para os olhos, na tentativa de ocultar o sangue fresco que ainda escorre no frio metal, mas a dor fica sempre visível. e dói. doem as madrugadas em que acordo sobressaltada a querer ver-te, saber onde estás. (gostava tanto de saber quem és...) os quilómetros que nos separam, sei-o bem, são cada vez mais, mesmo quando regresso do nosso outrora universo paralelo para a cidade onde disseste que me amavas pela primeira vez. não sei agora o que sentes, se ódio se indiferença, ou se faz diferença qual é o sentimento que te mantém aí, longe de mim, para lá do horizonte que tantas vezes olhei de pernas para o ar. num sítio que não sei onde é. e perguntei. acredita que me interroguei. e inquiri. inquiri os amigos que ainda chamo por esse nome. e os estranhos. inquiri os trausentes que passavam nas passadeiras sem parar nos semáforos, as pessoas que pediam lume nos cafés, no nosso, no com vista transparente para os bancos em roda. tenho medo de me sentar lá, nunca sei se estás a ver. e se estiveres, se me vês a mim ou aquela que tanto lutei para dizer que não era, mas que fui.
Tão perto. Custa-me mais a cada vez que parto as pedras do caminho que tanto persiste em nos unir. Consome-me existir como se tu não fosses, como se a tua mão não encaixasse em mim, os dedos entrelaçados nos outros. Como se não sentir não fosse ver, encontro-me repetidamente na saudade de uma memória que não é(s).
como a repetição de um filme antigo num domingo à tarde, encontro-me repetidamente aqui. não sei se é medo ou falta de confiança no teu abraço - que de resto nunca me falhou.
o caminho. o que não existe, porque só caminhar. sempre de olhos e mãos fechadas e abertas, respectivamente, encontrei as pedras da calçada, e com elas fui de encontro a mim, uma e outra vez. aterrorizada pelo meu próprio semblante, saltei - porque o escuro só é doce se só, porque o azul só é céu se contigo. ou o recíproco - o copo meio vazio apagou as sinapses em mim e eu já nem recordo as certezas de outrora. como se o deixar de pensar me retirasse algum prazer de sentir o aperto que me sufoca e conforta em uníssono, como se 2=1. e não os cinquenta e sessenta menos dez e vinte que tanto mergulham nos braços alheios que não estranham.
